Manas

Teosofia – Helena Petrovna Blavatsky – Séc. XIX

Manas ou Manah (Sânscrito) – Literalmente, “a mente”, a faculdade mental, que faz do homem um ser inteligente e moral e o distingue dos seres brutos; é sinônimo de Mahat. Esotericamente, contudo, quando não especificado, significa o Ego superior, ou seja, o princípio senciente, que se reencarna no homem. Quando qualificado, é chamado pelos teósofos de Buddhi-Manas, ou seja, a Alma espiritual, em contraposição a seu reflexo humano, o Kâma-Manas.

Manas, quinto princípio da constituição humana, deriva da raiz sânscrita man, “pensar”, e significa a mente propriamente dita, o Pensador, o que pensa em nós, o Ego que se reencarna inúmeras vezes, acumulando em si as experiências recolhidas na vida terrestre. Este princípio é dual em sua essência e daí sua divisão em Manas ou Inteligência inferior, terrestre, que está intimamente ligada com a alma animal (Kâma) e o Manas ou Inteligência superior, relacionada com Atmã e Buddhi e veículo ou instrumento da alma espiritual (Buddhi).

O Manas Superior, juntamente com o Buddhi e o Atmã, constitui a Tríada Superior, imortal; enquanto o Manas inferior, unido aos princípios inferiores (corpo físico, duplo etéreo, princípio vital e alma animal), forma o quaternário inferior, isto é, a personalidade transitória.

O Manas, no homem, é o reflexo da Mente Universal, ou seja, o terceiro princípio constituinte do Universo, contado de baixo para cima. Râma Prasad – O Manas da literatura teosófica não deve ser confundido com aquele da filosofia sânkhya. De acordo com esta última, Manas é o órgão interno de percepção e conhecimento, o sentido comum ou interno, que regula e governa a ação dos sentidos. É o analisador das impressões que deles recebe; o princípio que combina, sintetiza e elabora as sensações, transformando-as em conceitos rudimentares, que logo transmite ao ahankâra e ao buddhi. É também a faculdade que sente, deseja, duvida, pensa, discorre e reflete; a mente impulsiva, que incita o funcionamento dos cinco órgãos de ação. Assim, pois, no referido sistema, a palavra Manas significa, então: mente, pensamento, alma, ânimo, coração, sentimento, inteligência, razão, conhecimento, intenção, vontade, disposição etc.

O Manas Inferior – A mente ou inteligência terrestre, aquela que atualmente predomina na espécie humana Está relacionada com a alma animal (razão pela qual se designa o Manas inferior pelo nome de Kâma-Manas) e, profundamente egoísta e passional como é, aplica a inteligência na satisfação dos sentidos, das paixões e dos instintos da besta humana, para obter um refinamento dos prazeres dos sentidos e originar certas aberrações eanomalias, que colocam o homem abaixo dos seres brutos. Mefistófeles referia-se a isso, quando, ao falar do homem, ao Senhor estas palavras: “Viveria um pouco melhor se não lhes dado esse vislumbre da luz celeste, à qual dá o nome de Razão, e que utiliza apenas para ser mais animal do que o animal” (Fausto, Prólogo no céu). O Manas inferior é o que faz com que a personalidade se considera como Eu e, enganada pelo sentimento de separação, se julgue diferente e dos demais EUs, sem enxergar a unidade, que está acima de tudo aquilo que os sentidos podem alcançar. O Manas inferior atua, nos animais, como instinto. (Ver Manas, Manas-Kâma, Manas superior etc.)

Manas-Kama (Sânsc.) – Literalmente, “a mente do desejo ou passional”. Entre os budistas, é o sexto dos chadâyatanas os seis órgãos de percepção ou de conhecimento e, portanto, o mais elevado destes, sintetizados pelo sétimo, chamado Klichta, a percepção espiritual do que vicia este Manas (inferior) ou, por outro nome, a alma humano-animal, como a denominam os ocultistas. Assim como o Manas superior ou o Ego está diretamente relacionado com o Vijñâna (o décimo dos doze nidânas), que é o conhecimento perfeito de todas as formas de conhecimento, seja referente ao objeto ou ao sujeito no encadeamento nidânico de causas e efeitos, o inferior, o Kâma-Manas, é apenas um dos indriyas ou órgãos (raízes) dos sentidos.

Manas superior – Apenas muito raramente se manifesta no período atual da evolução humana. É aspecto mais nobre e sublime da mente, o princípio imortal da Egoidade, o Ego permanente e imperecível, que, em sua marcha evolutiva, vai recolhendo todas as experiências mais elevadas e tende, sem cessar, a retornar para a Alma espiritual (Buddhi), ao eterno, ao divino. Após renascimentos repetidos, o Manas inteiro adquire uma condição sublime, reconcentra-se na individualidade e o homem, já purificado, cheio de altruísmo absoluto, iluminado pela luz do Manas superior, goza da visão do “olho interno”, da intuição pura, e se converte num gênio verdadeiro, em um

Mahâtmâ. Então, o homem adquire plenamente o livre-arbítrio e sua vontade atua sempre de acordo com a Lei divina. Outro dos poderes do Manas superior é o chamado Kriyasakti, ou seja, o misterioso poder de pensamento, que permite a produção de resultados fenomenais externos e perceptíveis, graças à sua própria energia inerente