
Cartago, na província romana da África Proconsular.
Quintus Septimius Florens Tertullianus; c. 160 – c. 220 d. C. (Tertuliano) A visão de que a fé em Deus é sensata, mesmo que a razão não possa confirmar Sua existência.
A relação entre fé e razão tem atormentado a crença cristã por muito tempo, dada a dupla herança intelectual da civilização ocidental, tanto em Atenas, lar das origens ocidentais da razão, quanto em Jerusalém, lar das origens ocidentais da fé. O fideísmo, a filosofia de que a fé é (relativamente) independente da razão — que a razão não é necessária para justificar a crença em Deus — é comumente considerado como algo que remonta a Tertuliano, que enfatizou um tema da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, de que a verdade do cristianismo só pode ser descoberta por meio da revelação – ver Gnose (dicionário do pensamento) O fideísmo influenciou, em graus variados, figuras significativas na história da filosofia, incluindo Blaise Pascal (1623-1662), Søren Kierkegaard (1813-1855), William James (1842-1910) e Ludwig Wittgenstein (1889-1951). A defesa de Pascal de sua fé inclui uma crítica ao uso de argumentos apologéticos em tentativas de levar outros a crer.
Kierkegaard argumentou que a crença requer um ato de fé comprometido, o que em si é distinto de evidências ou razões. James, um pragmático americano que também estudou psicologia e religião, apresentou um conjunto de critérios sob os quais é racional acreditar sem provas. Wittgenstein interpretou a religião como uma ocorrência autocontida e expressiva, com sua própria lógica interna e dentro de seus próprios critérios autorreferenciais; consequentemente, é independente da razão e da crítica externa. Embora seja discutível até que ponto os quatro filósofos em questão, e o próprio Tertuliano, são realmente fideístas, o próprio fideísmo há muito fornece uma defesa comum da fé na ausência de evidências de Deus.
O fideísmo tem seu berço no cristianismo gnóstico esotérico, o qual foi reformado posteriormente pela Igreja Católica em concílios posteriores em Calcedônia e Constantinopla. Apesar de muitas interpretações errôneas que Tertuliano era um crítico ferrenho do gnosticismo, foi nestas fontes místicas e iniciáticas de escolas de mistérios no Mediterrâneo, onde Tertuliano buscou suas argumentações fideístas para as doutrinas da Cristologia e sua maior contribuição para teologia, reflexão acerca do mistério trinitário. Criou um vocabulário que passou a fazer parte da linguagem oficial da teologia cristã. Foi ele que introduziu a palavra “Trinitas”, como complemento da “Unitas”.
Segundo Tertuliano, Pai, Filho e Espírito Santo são um só Deus (aspecto trino da divindade presente em outras religiões) porque uma só é a substância, um só estado (status) e um só poder. Mas, por outro lado, distinguem-se, sem separação, pelo grau, pela forma e pela espécie (manifestação). Tertuliano introduz assim o termo “pessoa” (persona), para significar cada um dos três, considerado individualmente. Este vocabulário passou a vigorar, até hoje, para referir as realidades trinitárias da divindade.
O fideísmo aponta para a intuição e espiritualização do ser. Ele pode ser representado pelo símbolo do Sagrado Coração, repositório da fé, ou do plexo solar centro de força (chakra) dos hindus.

No Egito é o de Hórus, na Babilônia, é o deus Bel, na Grécia é o coração partido de Baco. Seu símbolo era a persea (árvore da Pérsia e Egito). Seu fruto tem forma de pêra, e especialmente sua semente se parece com um coração. É visto em algumas imagens de Ísis, mãe de Hórus, com o fruto aberto ao meio. Os católicos-romanos adotaram então o culto do “Sagrado Coração” de Jesus e Maria. Repositório da Fé.


